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Histórico


 



O Alto Vera Cruz está localizado na região leste da capital, ao lado do Taquaril e Granja de Freitas. Segundo levantamentos da ONG Cooperação para Desenvolvimento e Moradia Humana (CDM) e do SEBRAE, até a década de 50 o terreno era uma área de mineração que foi adquirida pelo INSS como pagamento de uma dívida da mineradora que atuava no local. Foi nessa época que começou a ocupação.



Ainda segundo dados da CDM, antes de pertencer à mineradora, o local era formado por antigas fazendas de propriedade das famílias Necésio Tavares, Marçola e Jonas Veiga. A Companhia Mineira de terrenos e Construções S.A (Comiteco) comprou parte das terras e em seguida repassou uma parcela à Ferro de Belo Horizonte (Ferrobel). Segundo a CDM, em troca do repasse de terras, era compromisso da Ferrobel urbanizar a área, mas a ocupação acabou acontecendo de forma desordenada. Segundo a Urbel, foi a partir de 1983 que a Companhia Mineradora passou a exercer atividades de urbanização adquirindo nova denominação: Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel).



O loteamento na área, que antes era conhecida Alto dos Minérios ou Flamengo, começou com cerca de 600 lotes. Com fim da mineração, ocuparam o local os próprios operários. Na década de 60, a ocupação se intensificou com a chegada de muitos trabalhadores da construção civil.



“Pegar o bonde”, termo muito usado atualmente nas periferias de Belo Horizonte para designar a locomoção dos moradores através do ônibus, já era utilizado no Alto Vera Cruz a muitos anos. Como não havia muitas opções de transporte (somente o trem de Sabará, ás 5h da madrugada, e o trem vindo de Raposos, 18h30mim), o jeito era descer a pé até o horto e “pegar o bonde”, no caso o ônibus.



No início da ocupação, o local ainda era habitado por animais silvestres, a paisagem tinha características típicas do cerrado, mas com o tempo, a mata deu lugar a ruas, becos e pequenas casas. Cortavam a região os córregos Jequitinhonha e o Santa Terezinha. O primeiro foi o pivô de uma das primeiras lutas da comunidade, a construção de uma ponte que permitiria o acesso de veículos à vila. Hoje, parte do córrego é coberta pela a avenida Jequitinhonha, que liga a região à avenida dos Andradas. Outra parte, entre a mata da baleia e a rua um, onde tem um campinho de futebol, está em leito natural.



Antes os córregos eram usados para o lazer e limpeza das roupas dos moradores, sendo o Santa Terezinha, utilizado também para o abastecimento de água. Apesar da rede de distribuição passar pelo local, os moradores pouco usufruíam do serviço que era destinado aos moradores do bairro Caetano Furquim, a partir de uma caixa d’água localizada no cruzamento da Rua Itamar com General Osório.



O Alto Vera Cruz hoje é referência no que diz respeito à organização e mobilização comunitária, com presença atuante de instituições religiosas, partidárias, ONG’s e associação de moradores. Além disso se destaca em relação à cena cultural. A comunidade foi a primeira de Belo Horizonte a conquistar um Centro Cultural pelo Orçamento Participativo. Hoje tem representantes de peso na cultura mineira, como NUC, Renegado e Meninas de Sinhá. Um interessante aspecto na história do Alto Vera Cruz é a identificação dos moradores com o local, muitos expressam o desejo de não deixar a favela, uma vez que estão lá há muitos anos.



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